JÁ É ALUNO?
11/11/2025 17:07:00

Isabela Alves, acadêmica de Direito da UNIFASIPE teve três artigos científicos no Congresso Brasileiro de Atuação Interdisciplinar nas Defensorias Públicas

Autor: Patrícia Zankoski | Marketing - Grupo Fasipe Educacional

Quando sua curiosidade e o dom de destilar os assuntos complexos em acessibilidade te levam além: foi assim que Isabela Alves chegou ao Congresso de Atuação Interdisciplinar nas Defensorias Públicas.

Conciliar duas graduações ao mesmo tempo já seria um desafio para muitos. Para Isabela Alves, acadêmica de Direito na UNIFASIPE JET e em Letras pela UNEMAT, essa rotina não se tornou apenas possível, como também uma oportunidade de se aprofundar nas palavras – sejam elas literárias ou jurídicas – Isabela encontrou na pesquisa científica um caminho que pode unir linguagens em prol de um bem maior: tornar aquilo que é complexo acessível para todos.

Foi durante seu estágio na Defensoria Pública de Sinop que ela percebeu que algo mudaria suas perspectivas em relação ao que era posto à mesa de sala de aula: a linguagem jurídica, muitas vezes, não chega de forma clara a quem mais precisa dessas informações. Essa percepção que começou na sala de atendimentos, foi parar na escrivaninha de Isabela, agora é objeto de estudo, desafio e produção científica.

Na busca de ampliar o alcance das discussões em que tanto trabalhava, Isabela decidiu se inscrever no Congresso Brasileiro de Atuação Interdisciplinar nas Defensorias Públicas, que aconteceu em Cuiabá, nos dias 24, 25 e 26 de setembro. Três pesquisas, três resumos enviados:

• “Variação linguística e a dificuldade no acesso à informação do direito: um estudo crítico acerca da linguagem utilizada no meio jurídico e seus impactos na democratização de conteúdos jurídicos”, pesquisa de TCC de sua graduação em Letras pela Unemat Sinop, sob a orientação da Dra. Neusa Philippsen

• “A adoção avoenga e a flexibilização legal frente aos casos de vulnerabilidade infantil”, trabalho orientado pela Mestre e atual Vice-presidente da OAB, Mayara Weirich, que encorpa a docência da UNIFASIPE;

• “Direitos dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação: uma análise das garantias legais à luz do Sinase e do artigo 124 do ECA”, pesquisa de TCC em Direito, sob a orientação do também docente da UNIFASIPE e atual Presidente da OAB, Reginaldo Monteiro.

Sua travessia ao congresso e a apresentação das temáticas sensíveis que abordou lhe proporcionaram encontros e conversas que hoje a motivam de explorar outros temas com potencial relevância e que muitas vezes encontram barreiras para concretização.

“Não faz sentido estudar e não devolver esse conhecimento para a sociedade. A pesquisa precisa alcançar as pessoas”, comenta.

Para Isabela, participar do evento significou mais que expor resultados: foi trocar experiências com estudantes e defensores de diversos estados, ouvir e ser ouvida, aprender novas formas de olhar para a prática jurídica e sentir-se parte de um movimento maior — o de tornar a justiça mais humana, acessível e presente no cotidiano das pessoas.

“Foi inspirador perceber quantas pessoas, em tantos lugares do Brasil, estão pensando em como fazer do Direito uma ferramenta de transformação social”, conta.

Isabela agora planeja seguir para o mestrado. E se alguém lhe perguntar por que tudo isso vale a pena, sua resposta é imediata:

“Tenho amor pela pesquisa, mas para além disso, eu gosto muito de estar em constante movimento, tanto físico quanto intelectual, sabe? Correr, cuidar da saúde, estudar, estar com as pessoas que gosto, ir à academia, enfim, estar em movimento para mim significa uma forma de agradecer por estar viva e ter saúde.”


CONFIRA A ENTREVISTA:

Como surgiu seu interesse em participar do Congresso?

Isabela: Eu cursei Letras na UNEMAT e lá tive incentivo à pesquisa desde o primeiro semestre. Como fazia as duas faculdades ao mesmo tempo, sempre trazia esse olhar da pesquisa para o Direito. Além disso, estagiei na Defensoria Pública de Sinop com a Dra. Luciana Barbosa, e esse estágio foi muito importante para o meu crescimento profissional e pessoal.

Eu sempre pensei que não adianta pesquisar e não divulgar. O conhecimento precisa voltar para a comunidade. Um dia pesquisei no Google por eventos de Direito, vi que o Congresso da Defensoria seria em Cuiabá e enviei resumos de três pesquisas que eu já tinha desenvolvido.


E quais foram suas motivações para os temas que você pesquisou?

Isabela: Elas foram surgindo conforme minhas experiências.

A pesquisa sobre variação linguística, por exemplo, nasceu dos atendimentos na Defensoria e da disciplina de Sociolinguística, quando percebi a dificuldade de muitas pessoas entenderem termos jurídicos.

A pesquisa sobre medidas socioeducativas veio do acompanhamento de adolescentes em cumprimento dessas medidas. Já o estudo sobre adoção avoenga surgiu ao observar casos em que, mesmo havendo legislação, a vulnerabilidade familiar exigia uma análise mais sensível.

 

 

 

Você teve três orientadores. Como foram essas experiências?

Isabela: Foram muito boas.

A professora Neusa Philippsen foi minha orientadora na Letras desde 2020. Trabalhamos juntas por cinco anos. Ela é muito exigente, e isso me ajudou a crescer.

A professora Mayara Weirich sempre me apoiou e estamos publicando um capítulo de livro sobre a adoção avoenga até fevereiro de 2026.

O professor Reginaldo Monteiro foi meu orientador no TCC do Direito. Mesmo com a rotina corrida, contribuiu para o estudo.

 

E como foi, para você, participar do Congresso?

Isabela: Foi uma experiência incrível participar do Congresso e poder descobrir tantas formas de melhorar ainda mais o meu trabalho como alguém atuante no Direito e pesquisadora.

Conheci pessoas muito inteligentes e grandes expoentes de causas sociais importantes do nosso país. Pude fazer várias trocas com colegas do Rio de Janeiro, Pará, São Paulo, Tocantins e dentre outros estados, de forma que pude conhecer a atuação da Defensoria nesses diversos locais.  A recepção de feedbacks é a melhor parte, pois me motivou a pesquisar sobre outras temáticas que podem ser relevantes.

 

E se alguém que tem vontade de ingressar nas áreas que você atua, como a Pesquisa Científica e o Direito, sentar para conversar contigo sobre, o que elas vão ouvir da Isabela?

Isabela: Nossa, coitada dessa pessoa! (risos)
Tranquilamente eu falaria por umas três horas.
Mas eu diria que ambas as áreas exigem dedicação e estudo constante — e que valem muito a pena.
O Direito, por si só, é a base na nossa sociedade e entender a composição dos nossos direitos e deveres nos liberta de muitos pensamentos limitantes.
A pesquisa, por sua vez, é um instrumento de mudança social gigantesco, já que nos coloca para estudar problemáticas e ao final nos desafiam em apresentar um resultado contundente, seja ele positivo ou negativo. E o melhor: essas duas paixões jamais te deixarão acreditar em algo sem o mínimo de fundamento possível para convencê-lo.



Aos 23 anos, graduanda simultaneamente em Letras e Direito,  autora de três artigos científicos publicados, e aprovada hoje, 11/11/2025, na OAB, Isabela Alves evidencia que o saber é movimento e responsabilidade social.

A UNIFASIPE tem orgulho de apoiar talentos que elevam o conhecimento a serviço da comunidade.

(65) 97400-6800